Bem vindo ao Blog Según Galeano do Teatro de Senhoritas. Según Galeano é o novo processo do Teatro de Senhoritas. Estamos explorando o universo do escritor Uruguaio Eduardo Galeano através de "Missões" criadas por nós, ou sugeridas pelos colaboradores. Todo processo está sendo registrado aqui. As Missões estão escritas ao lado. Os vídeos estão nas páginas acima. Convidamos você a participar, comentar, questionar, sugerir missões e reflexões.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Processo Criativo - um artigo de luxo?

Eis que estamos novamente em processo de criação... sem espaço, sem direção, sem dinheiro e com algumas idéias na cabeça. Porém, o que mais ocupa minha cabeça são todas as outras coisas que eu faço para poder fazer o meu processo, mas que não me permitem pensar no processo.
Ò que drama e que dor!
Eu nem consigo raciocinar, artisticamente, o que eu pretendo com o novo espetáculo. Voltei na vontade primeira, lá, dentro de uma barraca de acampamento no 31 de dezembro de 2006, quando resolvi que ia fazer uma solo de textos do Galeano, e a vontade era: vou fazer um trabalho sozinha, com coisas que eu gosto muito, pois se eu apresentar por R$ 200,00 já é meio aluguel. A coisa foi mudando de figura, mas hoje - junho de 2010 em um intervalo entre uma aula de substituição que caiu do céu (mas que me fez perder a aula do mestrado) e uns bicos que arrumei - quando sento pra escrever sobre o processo do novo trabalho, só penso que processo é um artigo de luxo, luxo que nesse momento não posso me dar!!
E aí paro pra pensar:
Como nós fizemos o Divas? O que me movia? Fazer uma peça que seria o boom das Senhoritas, um marco no teatro nacional e que teria na platéia, na grande noite de estréia, as grandes estrelas do teatro paulistano, emocionadas, aplaudindo e depois eu e a Isis concorreríamos juntas ao prêmio Shell de melhor atriz daquele ano... Infantil? Piegas? Real...
Como nós fizemos o Ana-me? Primeiro eu estava ajudando a minha amiga, que foi incrível comigo no meu projeto-sonho, a realizar o projeto(-sonho?) dela, depois eu estava fazendo a segunda peça da companhia, a que era mais vendável, formando nosso repertório, sem a ilusões do Divas, uma peça consistente, bonita, bem feita.
Agora a gente se propôs a fazer uma coisa pelo fazer da coisa, já que temos duas peças pra vendar e vende pouco, pra quê mais uma? Mas como fazer pelo prazer do fazer se o não vender não deixa?
Tem dias que eu me vejo a beira de desistir. Olho pras coisas sem amor. Acho, agora, que nós três olhamos pras coisas sem amor. Talvez devêssemos perder a vergonha, que eu pelo menos adquiri, de sonhar com noites de estréia com a platéia repleta de velhinhas incríveis. Mas agora eu não consigo. Agora eu só quero algo que me dê 150,00 num fim de semana e que não seja cuidar do evento dos outros ou colar cartaz das peças dos outros ou produzir o trabalho dos outros...
Como existir além do meu mundo particular? Através de um blog? Escrever aqui é uma forma de expressão... ou uma falsa impressão?
E desculpem a rima pobre, foi inevitável...

3 comentários:

  1. Coragem!
    Me aperta o coração teu texto!
    As coisas nunca estiveram tão sem perspectivas financeiras, não?
    Ou sim, mas em um momento de mais esperança, de mais inocência... Quanto mais profissionais nos tornamos, mais nos afastamos de nossa profissão?
    Temos mais perspectivas hoje, elas são mais reais, talvez, mas menos encantadoras...
    Em Coragem nos!

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  2. E assim foi, nos amores e na guerra: sempre voando, sempre quebrando as costelas. Pois quem entra no Circo Firuliche não sai nunca...

    Já diria o véio Galeano...

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  3. Não para de fazer teatro porque falta dinheiro. Mesmo que o processo seja um pouco mais demorado.

    Apesar da questão financeira ditar algumas regras sobre como trabalhamos, não é ela que deve dizer SE trabalhamos ou não. Fazer teatro pobre ou rico é natural. Mas fazer só com dinheiro ou não fazer leva pra outro lado. Não é o dinheiro que é criativo, é a gente.

    Bem, pelo menos esse é um pensamento que me impulsionou em crises financeiras.

    Bjss

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